ETEC Gino Rezaghi.
Cajamar, São Paulo.
Dando continuação ao trecho anterior, esse capítulo inicia-se com o meu primeiro dia na ETEC. Aliás, podemos resumir as primeiras semanas em um mesmo trecho: sentado, sozinho. Como já disse, ser "antissocial" me define. Mas acho isso desnecessário, cortemos esse momento emotivo (cheguei a pensar em descrever isso, quando contei hoje a Laryssa o que acontecia comigo noutra escola e vi sua reação).
De forma geral, o Jd. Maria Luiza - onde se localiza a ETEC - é um lugar frio e perdido em Cajamar (praticamente não há nenhum sinal de operadora lá (!!!)). Para se estudar lá, tem que se acostumar, em dados momentos, ao uso de muitas blusas (e calças/meias, caso seja pouco acostumado ao frio), senão, acaba doente. E quando não é frio demais, é calor demais.
No momento em que defini meu lugar na sala de aula, no canto da sala - algo incomum para quem estava acostumado a estar localizado em frente ao centro da lousa -, passei a observar meus novos colegas de classe. E aqui - mas não só aqui - aprendi uma lição para a vida toda: nunca julgue alguém pela aparência. Em ambos os sentidos: aqueles que parecem inocentes, brigões, maldosos, inteligentes, ignorantes, educados, podem não sê-los; e foi isso que entendi e passei a respeitar, porque me culpei por formar uma imagem enganosa da pessoa em questão. Simplesmente é necessário conhecer, e nada mais. Provavelmente, daqueles que lerão e me conhecem, saberão se essa mensagem também inclui meu pensamento sobre eles, porque já fiz questão de falar.
Nos primeiros momentos, a diferença entre a ETEC e minha escola anterior já se tornou perceptível. E o primeiro sempre se mostrando superior. Isso porque o Abelardo já era muito bom, mas "não há comparação". O seu método era muito restrito, fechado, sempre baseado na bendita apostila. Aquilo era trabalhado, e nada mais. Ninguém nunca (ou raríssimas vezes) era induzido a refletir sobre determinado assunto ou outro; ou sequer a discutir qualquer coisa. Talvez por isso faltasse um aspecto que tornasse o ensino parnaibano dotado de perfeição, que, apesar de tudo, foi-me fundamental. Apenas a introdução disso já lhe serviria muito. Todavia, a ETEC não é só isso. Ela instiga a competição, traz a concorrência, a inovação, quer criar talentos, quer mostrar os seus talentos, ensinar o trabalho em equipe, como também, e principalmente, o conhecimento teórico (voltado ao vestibular); envolve todos os alunos e quer demonstrar tudo isso.
O ponto de partida inicial que citei para observar algum(ns) desse(s) ponto(s) foi o debate proposto acerca da discussão evolucionismo x criacionismo. Estávamos reunidos em grupos para questionar, uns dos outros, o que poderíamos provar (...) pela fé ou pela ciência. Muitos talvez não deveriam ter parado um minuto para pensar sobre isso antes. Eu, como defensor do darwinismo, à época, argumentei com o que sabia e tudo ocorreu favoravelmente. Fomos todos elogiados, porque aquilo não tinha se tornado um bate-boca qualquer (como era de se esperar e como acabou acontecendo, não conosco, mas com outras pessoas, em outro lugar); era um debate produtivo e argumentado, trabalhado e embasado.
Claro, você já deve ter analisado que esse simples debate não teria tudo o que elogiei da ETEC. Ainda tem muito mais, com o Simpósio e com o Sarau...



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