quinta-feira, 17 de abril de 2014

Show de talentos e a maldição da integração

 ETEC Gino Rezaghi.
Cajamar, São Paulo.

  Para quem não acredita na caixinha de surpresas que a ETEC é, está na hora de rever seus conceitos. As festas (dizem, uma vez que não participei de nenhuma! Lembre-se como eu sou) oscilam em sua qualidade; todavia, aparentam agradar no quesito divertimento. O choque (digo por mim, mas creio que seja de pensamento geral) da realidade etequiana impacta, mas alegra. Os "eventos" que a escola promove são de grande interesse (e importância, seja educativa ou não, em geral) para muitos daqueles que participam dos mesmos. Entre todos eles, merecem destaque o Sarau, o Simpósio e a Feira, sendo que os dois primeiros são internos e o último, aberto ao público. Citarei, hoje, a primeira vez em que vi os dois primeiros. 
  O Sarau é o nosso humilde show de talentos, cujo objetivo é dar espaço aos alunos que querem demonstrar aquilo que sabem - aliás, não é bem assim! - e fazem com prazer. Claro, eu não sou ninguém para questionar quem sabe ou não cantar, dançar, atuar etc., mas tem certas coisas que realmente não dá para passar em branco, tanto do lado positivo como do negativo. Vamos primeiro ao que há de bom: apesar de eu não me recordar de muitos dos fatos do Sarau, é preciso relembrar e dizer que, com a formação dos 3ºs anos no ano passado, a ETEC, de fato, perdeu muitos talentos, em diversos sentidos. E existiam, de verdade, pessoas muito boas para cantar. Como também existia (e ainda existe) quem arrisca e sofre. O mais engraçado, que jamais deixaria de falar, era a ação daqueles perante algumas apresentações: quando as mesmas se prolongavam e tornavam-se cansativas, muitos começavam a bater palmas, forçando para que a apresentação acabasse e a pessoa para de realizar o que estava fazendo. Como já posso adiantar, os anos vão, os anos vem, mas poucas coisas mudam no Sarau (quanto àqueles que se apresentam, não a organização nem estrutura): há quem saiba, quem acredita que saiba e quem não acredita, mas vai mesmo assim. Certas cenas são históricas, porém não vejo necessidade em reproduzi-las.
  Um dia inteiro de aula perdida. Isso, para muitos, era motivo de grande festa e euforia. Todos riram, se alegraram, conversaram, se moveram até o pátio. Não houve problemas, até porque não havia motivação para isso. Mas a brincadeira acabava aí. As provas vieram; alguns tiveram motivos para sorrir, outros para chorar. Mas a promessa do Simpósio iminente ser um grande fracasso viria a se confirmar. O "Simpósio Con-Ciência" tem como, entre seus diversos objetivos, trabalhar a integração dos alunos da própria classe. Assim, a sala é dividida em 8 grupos - sendo que, naquele ano (2013) eram equipes de Painel I e II, Simpósio (Apresentação) I e II, Ação, Organização, Debate e Artístico, com 5 pessoas cada, variando caso haja desfalque de acordo com o número de alunos - para realizar determinadas funções durante os dias do evento, recebendo uma nota (compartilhada entre todas as disciplinas, no bimestre) por isso, de acordo com seu desempenho. 
  O problema não era o desafio. Era a má organização, a pouca cobrança e o interesse menor ainda. Poucos se mobilizaram para fazer o que deveria ser feito, tanto que, de forma geral, "o 1º I foi o pior no Simpósio". Creio que não me tenha ocorrido de ser claro nesse aspecto, mas, uma vez que entrei no curso de Informática integrado ao EM, essa era a minha sala. E tudo o que ocorreu já era de se esperar, porque, até na própria divisão dos grupos já houve confusão, ninguém se decidia o que queria. E o jeitinho brasileiro também não veio a calhar; muitos - e meu grupo, em partes, também estava incluído aqui - acumularam tarefas e foram "empurrando com a barriga" o que deveria ser dedicado ao Simpósio, deixando tudo para o último momento. A falta de preparação também era visível; poucos realmente estavam no grupo que deveriam estar. Mas, enfim, foi o que foi, e não há o que reparar.
  A maldição que usei para intitular essa postagem não era novidade e não se restringia apenas ao fato do 1º I estar perdido (aquela época) como um cego em um tiroteio. O 2º I, anteriormente, também sofrera o mesmo repúdio. Genericamente, e não apenas por essas situações, bem como por outras, anteriores e posteriores, a crença era de que o nosso curso era prejudicado e malvisto. Entretanto, não era só isso. Toda a culpa era-nos remetida e todo serviço braçal nos encaminhavam. E assim como o 1º I anterior, terminamos o Simpósio sem ganhar uma colocação qualquer, nem 3º lugar em nenhum de todos os grupos. E o 2º I, que se esforçara tanto, na tentativa de superar seu histórico sombrio, chorou lágrimas ao vento quando recebera apenas uma "3ª colocação"; a partir disso, o sentimento expresso no início desse parágrafo se reforçou.
  Mas... isso é passado. Está na hora de um novo Simpósio e de muito sangue escorrer em vão...

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